sexta-feira, 21 de maio de 2010

Semana 5 - um pouco mais

Mesmo terminando a semana um pouco descontente por conta de tudo o que me aconteceu e por não ter conseguido fazer aquilo tinha planejado desde o início, ao escrever o relato para o wiki, "acordei" pra algumas aprendizagens que eu realizei e para o aprofundamento que consegui em relação a alguns alunos, que até o momento em que escrevi a primeira postagem da semana 5, eu não tinha vislumbrado. Então, concluí que de tudo o que fazemos no estágio, um dos momentos mais importantes e ricos é exatamente esse, no qual sentamos para pensar, repensar e escrever o que fizemos. Colocar no “papel” tudo o que foi experimentado de forma analítica, é uma atividade que não fazia assim, de forma sistemática. Eu sempre refleti sobre o que estava fazendo, mas raramente escrevia minhas reflexões. Vejo agora, como é importante escrever aquilo que pensamos, pois no momento em que elaboro e organizo o pensamento para escrever, descubro novos fatos, percebo detalhes que tinham passado, encontro soluções para o que não deu certo, enxergo outras possibilidades de trabalho para dar conta daquilo que na me satisfez. Essa parada obrigatória para refletir, analisar, elaborar, sistematizar e escrever, cria novas necessidades, encaminha novas leituras e qualifica ainda mais a minha prática.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Semana 5

Essa é daquelas semanas que poderia sumir do calendário. Tudo que tentei dizer, foi interpretado de forma contraditória e equivocada. Fiquei doente, por causa de um cachorro quente, tivemos paralização, assembleia geral na escola.... Todos momentos de aprendizagem pra mim, pois sempre que há encontro, relacionamento, debate, diálogo, discussão sempre resulta aprendizagem significativa, mesmo que a princípio não percebamos. Estou postando hoje pra dar conta da exigência cronológica imposta pela universidade, contra a qual me rebelei e aprendi que agindo dessa forma eu só tenho a perder, regras foram feitas para serem cumpridas, não é mesmo? Apesar de todos os grandes gênios da história terem obtido notoriedade exatamente por transgredirem as regras de sua época... Um período em que eu não soube ouvir, em que eu não fui ouvida, e que me fez acreditar ainda mais na coerência e eficácia do trabalho ao qual estou me propondo no estágio: valorizar a oralidade, ouvir e conhecer meus alunos, proporcionar a eles momentos de diálogo, debate, escolha, decisão, democracia, respeito mútuo, aprendizagem, troca, cooperação, compartilhamento. Num mundo em que cada vez mais nosso valor está vinculado ao ter e não ao ser, é demasiado importante ensinar às nossas crianças o valor da amizade, da fraternidade, da solidariedade, da compreensão, da tolerância, da verdade...
Nesse sentido a semana pra mim foi de supremo valor. Os desapontamentos perdem a força diante da alegria e do prazer de conseguir alcançar meus objetivos lenta e profundamente nesse estágio...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Semana 4

Foi mais uma semana incrível! Dessa vez resolvi deixar que as crianças me contassem a história ao invés de eu ler ou contar a elas. Pude observar o quanto evoluíram tanto na maneira de falar e organizar o que iriam dizer como na postura diante da fala dos outros. E pra melhorar, muitos alunos que, normalmente não se pronunciavam, nesse trabalho pediram pra falar e colaboraram com a construção oral do texto.
Experimentei coisas novas: gravei as crianças falando, pedi que escrevessem a história (até aqui as atividades que envolviam escrita de textos restringiam-se às produções coletivas, as crianças só escreviam sozinhas palavras e frases). Além disso, trabalhamos com receita, produzimos biscoitos e fizemos cálculos que superam a expectativa para o ano ciclo (multiplicação, por exemplo).
Tudo o que tenho vivido e aprendido até aqui tem me feito vibrar e me apaixonar pela turma e pelo trabalho docente. É visível a evolução dos alunos.
Observei que muitos estão com medo de escrever, pois acreditam não saber. Esse será o meu maior desafio agora: fazer com que tenham segurança para escrever dentro das suas hipóteses de construção da escrita para que eu possa intervir de forma positiva e levá-los a questionar-se acerca de como se escreve, sem medo de errar, acreditando que cada fase do processo é um degrau na escada que os levará para a alfabetização e para o letramento.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Semana 3

Penso que nessa semana, apesar da variedade e riqueza das atividades e aprendizagens, não consegui êxito no meu propósito de relacionar literatura infantil e matemática.
O trabalho foi produtivo e significativo.
O lúdico estava presente (mais que em outras semanas, acredito), o que dá conta de um dos objetivos desse projeto.
Novos conceitos foram aprendidos por mim e pelos alunos, outros caminhos encontrados para chegar ao sucesso (A inserção dos jogos de competição no trabalho auxiliou-me a conhecer melhor os alunos - suas reações diante dos desafios, capacidade de concentração, coordenação motora ampla, freio inibitório, espírito de equipe, etc).
Mesmo assim o link entre as duas “cordas” centrais do projeto foi muito frágil, faltou amarração ou pelo menos apertar o nó.

domingo, 2 de maio de 2010

Semana 2

Apesar de ter sido uma semana mais curta e de ter tido alguns problemas com o tempo de realização e a organização de algumas atividades observo que estou conseguindo estabelecer a relação pretendida entre a teoria e a prática. Mas ainda está longe da qualidade que quero alcançar com esse trabalho. O caráter interdisciplinar esteve mais presente nessa semana pois através do texto escolhido pude linkar além da matemática (questões envolvendo tempo, contagem de tempo e numeração) e da Língua materna (leituras e atividades de oralidade e escrita)com as questões socio culturais que estiveram presentes em todos os momentos da semana e foram bem analisadas e compreendidas pelas crianças, de uma forma geral.
Tenho algumas dúvidas e conflitos no que se refere a sistematização da escrita, pois acho que deixei a desejar essa semana. Foram poucos os momentos em que as crianças escreveram ou foram questionadas sobre o assunto. Em compensação pensaram muito, falaram bastante e mostraram um grande avanço nas questões que envolvem a oralidade. Por esse aspecto o trabalho valeu.
Preciso pesquisar mais e viabilizar uma maneira de trabalhar, em que sejam contempladas todas as nuances da Língua, sem privilégio de uma sobre a outra ou essas alternâncias que vem ocorrendo nessas primeiras semanas de trabalho.
Alguns objetivos têm sido alcançados semanalmente: diferentes tipos de textos tem sido apresentados aos alunos, as crianças estão analisando situações diversas, formulando hipóteses, questionando a própria realidade, interpretando textos e imagens e resolvendo os problemas que lhes são apresentados com imaginação e criatividade. Também sinto que estão mais autônomas e críticas em relação ao que lhes é proporcionado tanto na escola como na vida fora dela.
Eu tenho sentido cada vez mais dificuldade em planejar pra turma, porque eles estão ficando exigentes, críticos e questionadores. Além disso, eu também não me contento mais com uma aula pouco pensada ou elaborada às pressas. Aliado a isso tem a preocupação com a avaliação do estágio...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Primeira Semana

Tive muita dificuldade para elaborar do projeto de estagio e o primeiro plano semanal. Penso que as dificuldades encontradas estavam relacionadas principalmente ao referencial teórico. Eu sabia o que queria e como iria fazer, mas não conseguia relacionar isso a toda à teoria estudada durante o curso. Precisei me debruçar sobre os livros durante três dias para encontrar na bibliografia fundamentação teórica para o meu projeto.

Reler Smole, Abramovich, PCN's, Ferreiro, Teberosky, Grossi, Rocha entre outros me ajudou a ver que hoje, já não sou mais a mesma professora que iniciou o curso em 2007. mudaram minhas convicções e entendi a importância de pensar o trabalho.

A utilização de diferentes portadores de textos, por exemplo era uma prática que não fazia parte do meu cotidiano profissional. Entendi que essa variação mostra à criança a importância da escrita na nossa sociedade e as finalidades para as quais é usada."A capacidade de reconhecer diferentes gêneros textuais e identificar suas características gerais favorece bastante o trabalho de compreensão, porque orienta adequadamente as expectativas do leitor diante do texto." (BRASIL, Ministério da Educação/SEB. Pró-Letramento: Programa de formação continuada de professores dos anos/séries iniciais do Ensino Fundamental: alfabetização e linguagem 2007).

Também encontrei em Rocha e Smole a fundamentação para justificar o trabalho em grupos e a maneira como organizo os alunos em grupo nas minhas aulas.

Conforme Cândido (in Smole at all, 2001, p. 27), sem interação social a lógica da criança não se desenvolve plenamente, porque é nas situações interpessoais que ela sente-se obrigada a ser coerente.

Convém salientar que a maneira como serão constituídos os grupos de trabalhos é muito importante. Penso que é necessário dar uma atenção especial a esse momento. Comungo com a ideia de que os grupos devem ser formados a partir de uma eleição que escolherá os chefes de grupo e esses farão a escolha dos componentes, podendo os escolhidos aceitarem ou não. Essa perspectiva de formação dos grupos auxilia o desenvolvimento sócio-afetivo da criança, pois

"No momento da eleição as crianças são chamadas a exercerem seu desejo e discernimento, escolhendo aquele que gostariam pra ser chefe, submetendo-o, através de seu voto, à vontade social, na medida em que seu candidato pode ou não ser eleito." (Rocha, 2005, p. 58)

A busca por fundamentação afasta os "achismos" e torna nosso trabalho mais eficiente, pois nos dá mais segurança em relação ao que estamos fazendo, pois temos como argumentar, caso sejamos questionadas sobre o que estamos fazendo.

Inclui muitos momentos em que a oralidade é valorizada nas minhas aulas. Essa era uma prática pouco explorada por mim, mesmo durante o curso. Nesses primeiros momentos do estágio, já observo uma preocupação grande com a oralidade. Tanto que dedico parte das aulas, diariamente, ao diálogo com os alunos.

"Os alunos devem aprender a escutar com atenção e compreensão, a dar respostas, opiniões e sugestões pertinentes nas discussões abertas em sala de aula, falando de modo a serem entendidos, respeitando colegas e professores(as), sendo respeitados por eles. Além do jogo de pergunta e resposta e da discussão, normalmente empreendidos nas atividades de interpretação de textos lidos, outras situações devem ser implementadas para incentivar a participação oral dos alunos: organização da rotina diária, produção coletiva de textos, decisões coletivas sobre assuntos de interesse comum, planejamento coletivo de festas, torneios esportivos, a “rodinha” e outros eventos."(BRASIL, Ministério da Educação/SEB. Pró-Letramento: Programa de formação continuada de professores dos anos/séries iniciais do Ensino Fundamental: alfabetização e linguagem 2007).

sábado, 10 de abril de 2010

Será que conhecemos verdadeiramente o lugar onde trabalhamos?

Ao me deparar com os itens a serem respondidos para elaborar o projeto de estágio e as descrições do bairro, da escola, da turma, nossa! Não sei onde trabalho! Precisei pesquisar na rede sobre a história do bairro Lomba do Pinheiro, como foi sua ocupação, a distribuição das terras e descobri que há explicação até para os terrenos com uma única família morando e para as árvores plantadas e animais criados pelos moradores (a origem rural das famílias). Lendo sobre a história da escola entendi a forte atuação da comunidade nas questões políticas da escola, pois é responsabilidade dessa comunidade a escola estar do tamanho que está e pertencendo à Capital do Estado. O que temos como instituição de ensino é consequência de um árduo e incansável trabalho comunitário junto a seus representantes legislativos e executivos. Por isso, essa comunidade é tão presente nas decisões políticas da escola e tão questionadora em relação ao nosso trabalho. Não vejo na Lomba uma delegação de poderes supremos ao corpo docente da escola, como vivenciei em outros locais nos quais trabalhei. Há que se prestar contas do que estamos fazendo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tudo pronto pra começar!!!

Escrever com data marcada é ruim! Hoje não consigo colocar algo se significativo aqui. Estou com o wiki do estágio feito e quase todas as informações da escola e da turma lá postadas. Para cumprir essa primeira atividade de me dei conta que há informações sobre os alunos que são importantes e que eu não tenho... Há uma falha aí! Tenho que corrigi-la... Dentro de dois dias terei meu primeiro encontro com o professor e a tutora que irão orientar-me durante o meu estágio. Hás muita expectativa, um pouco de medo, um questionamento imenso e intenso acerca da prática e de como aplicar o que tenho aprendido ao longo dos anos na faculdade.
Talvez amanhã eu consigo expressar com mais clareza como estou desenvolvendo as atividades iniciais do estágio e como está sendo esse contato com a turma e com a escola.
O que posso adiantar é que irei fazer o estágio curricular na turma A23, na EMEF Saint'Hilaire (Porto Alegre), como havia me proposto desde o início.

domingo, 21 de março de 2010

Uma nova etapa

Estamos iniciando uma nova etapa no curso.
É hora de por em prática o que aprendemos durante os seis semestres anteriores. Estou bastante ansiosa com o que vem pela frente.
Quero fazer meu estágio numa turma de alfabetização em uma escola do bairro Lomba do Pinheiro em Porto Alegre. Estou apenas aguardando a confirmação da Secretaria de Educação do Município para efetivar o trabalho.
Escolhi essa turma, por se tratar de um ano ciclo com o qual tenho mais intimidade, afinal tenho trabalhado com classes de alfabetização de crianças desde que comecei no magistério. O desafio está em trabalhar numa escola ciclada.
A escola possui um grupo que trabalha junto, que dá suporte a quem chega novo e inexperiente como eu, proporciona momentos de reflexão e planejamento individuais e em grupo.
A supervisão pedagógica está sempre atenta ao nosso trabalho, além de nos ouvir e dar suporte emocional quando estamos sensíveis, sejam por problemas pessoais ou profissionais. Esse é o grande diferencial.
É por isso que escolhi a EMEF Saint Hilaire.
Minha turma é uma paixão. São 28 pequenos, com idade entre 7 e 10 anos, apenas uma menina está repetindo o ano ciclo e quase todas são oriundos da mesma turma de 2009.
Pode ser melhor?

Outros detalhes eu conto no pbwork do estágio, quando a SMED me conceder a permissão para estagiar no Saint Hilaire.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

É preciso provar que houve aprendizagem, senão não vale!

Meus progressos não são suficientes para avançar na Academia Federal. Porque preciso estar presente, aprender não é o mais importante!

O curso é à distância feito para professores que não tiveram condições de fazê-lo em outra modalidade, mas há que se honrar a lei e ter 75% de frequência, num mesmo horario em que temos que estar lecionando.
Não há lei que ampare o professor que trabalha 60h a ter o direito de fazer a graduação à distância numa Universidade pública...
Hoje entendo o que sentem os jovens e os adultos que acabam desistindo da escola.
Fizemos muitas exigências, negligenciamos os tempos deles e seus espaços, não enxergamos sua realidade cultural e socio economica. Pra nós, bons são aqueles que correspondem às nossas expectativas enquanto profissionais da educação que tudo sabemos! E se o cara não grita ao mundo, não chora ou esperneia seus problemas aos quatro cantos, somos incapazes de entendê-lo, de enxergá-lo ou perceber suas possibilidades.
Hoje eu não sou só professora! Virei gente! E devo isso A UFRGS que me fez ver, da maneira mais dolorosa, como devo agir com aquele cara que aparentemente não está respondendo aos meus estímulos, até porque esses chamamentos talvez não lhe cheguem aos olhos ou aos ouvidos.
As pessoas que atuam como professores na UFGRS fazem parte de um outro mundo, o mundo dos livros, das grandes teses e teorias. Poucos são os que conhecem (e se conheceram, será que lembram?) como é a vida real aqui fora no mundo plebeu!
Escrevem lindos livros e artigos e na hora de por em prática...
Nos cobram posturas que são incapazes de ter!
Durante toda uma vida sonhei com a Federal!
Em 2005 passei no vestibular para o curso regular de pedagogia, depois de 20 anos de expectativa, mas não tive o privilégio de cursar, pois na UFGRS só entra quem não precisa desesperadamente trabalhar. Quem, como eu, tem família pra sustentar terá que pagar um curso de graduação.
Mas em 2007 uma nova oportunidade me foi dada! E eu honrei a chance. Fui lá e passei no vestibular, mesmo já tendo vínculo no mesmo curso ( me foi negado o direito de transferência de modalidade).
Agora, depois de vários tropeços, caídas, avanços, deslizes e progressos chego perto do fim.
Mas sinto que não terei condições de continuar.
Exigem de nós um tempo que não temos! E não sou só eu que reclamo! Pra Federal o importante é o status, o nome!
Fico imaginando que tipo de exigências nos serão feitas no estágio curricular. A nós que já somos professoras a tanto tempo!
Acho que esquecem que não somos garotinhas com todo o tempo do mundo pra faculdade e com famílias dando suporte financeiro. E não venham me dizer que não é bem assim, porque sei como é o regular! Tenho uma filha lá! Que sofreu um bocado pra dar conta do estágio, emagreceu 5kg, passou várias noites sem dormir, comeu mal, deixou de viver por 4 meses!
Fico imaginando como eu estarei no final da jornada...
Levanto normalmente 5:30 da manhã. Viajo cerca de 40km pra chegar na primeira escola. Dou aula toda a manhã. Saio de lá, viajo mais 5km pra chegar na segunda escola. Almoço o que sobra dos alunos, porque não tenho grana pra almoçar num restaurante! E de cansaço, acabo dormindo ao tentar ler a imensidão de textos que nos mandam... Passo a tarde toda em sala de aula. Saio de lá 17:30 e tenho exatamente 1h para percorrer mais de 50km. Pensam que é o retorno à casa, à família? Não!
Vou pra outra escola, entro em sala de aula e atendo outros alunos (agora jovens e adultos) por mais 4h. Mas ainda não acabou a jornada diária! chego em casa por volta das 23h. Aí tomo banho, verifico se sobrou algum filho acordado pra eu dar boa noite, vejo se a marmita do mais velho foi arrumada (porque se não foi terei de fazê-lo). Por volta das 0:30h sento à frente do computador e se não durmo ali mesmo, sentada, tento ler e-mails e ver o que mais há pra fazer. Nunca durmo antes da 1h da manhã.
Como vou dar conta dessa rotina de trabalho e mais um estágio e todas as exigências que com ele virão?
Se reclamo do muito que há pra ler e da complexidade das atividades tenho como respostas: tens que escalonar prioridades. A Universidade está certa em sua postura, tu é que tem a vida muita cheia de coisas... terás que abrir mão de alguma coisa. Se não me queixo e mesmo assim não dou conta de tudo, sou reprovada, sem direito à recuperação com a alegação de que tive faltas além do limite estabelecido e que não fiz os trabalhos. Pior ainda: também não sou comunicada dessa decisão e passo todo um mês dedicado à recuperação envolvida com atividades que pra fim de avaliação de nada valem, porque tu já rodou e ninguém pode te dizer isso em tempo de evitar essa gastura toda!
Quando chega o final de semana é aula sábado pela manhã (trabalhei TODOS os sábados do segundo semestre por causa de uma maldita gripe)> chego em casa, no sábado, por volta das 14h e não raramente caio morta no sofá, na maioria da vezes sem comer, tamanho é o cansaço. Quando finalmente acordo, além das aulas para preparar para 6 turmas, tenho ainda os textos e trabalhos da faculdade pra fazer. Claro que isso não é nada! No início de cada semestre tudo é festa, mas no final, com as avaliações dos alunos e um milhão de prazos pra cumprir no trabalho, a academia acaba ficando pra trás, porque, infelizmente meu findi só tem 48h, das quais muitas acabam sendo utilizadas para dormir, porque o corpo não aguenta tanto esforço...
Vocês irão dizer que tem pessoas em pior situação. Há flagelados no mundo, gente que não tem o que comer, com problemas e dificuldades que transformam a minha num grão de areia. Mas se é assim, porque preciso ser esmagada pela universidade? Por que terei que receber o canudo tão esperado, sem condições de usufruir do seu significado com saúde e lucidez?
Eu passei no concurso público mais concorrido da minha área recentemente. Eu alfabetizo pelo crianças e adultos a mais de 12 anos, sempre com percentuais altíssimos de aprovação e de efetiva aprendizagem. Sei que tenho conhecimento sobre o assunto. Já estudava-o mesmo antes da UFRGS. Mas agora preciso provar que sei e aplicar o que sei dentro dos padrões exigidos pela universidade. O que a LDB traz como avanço na avaliação só é usado em relação a nós quando justifica a atitude do professor na reprovação. Queria ver se fosse como no município de POA que para reprovar temos que provar que o aluno não tem condições de continuar, como fariam para provar que eu não tenho condições de dar conta do que foi estudado na interdsciplina...
Não trago em meu corpo nenhuma marca, não me falta movimento em nenhum membro, enxergo, escuto, sou "normal", mas fui uma excluída social por toda uma vida, por que nasci mulher e pobre e depois separada e pobre. O acesso e a permanência me foram negados por muito tempo. E agora mesmo tendo acessado, sinto que minha permanência está cada vez mais difícil em virtude dos enormes obstáculos que a vida e a Academia têm colocado no meu caminho.
Eu sei que essa postagem será muito mal vista pelos professores. Serei taxada de reclamona, vão achar que quero arrancar a aprovação na cadeira que rodei.
Pensem o que pensar, o que sei, é que aprendei a ser melhor professora a partir desse episódio.
A partir daqui terei mais cuidado ao avaliar e tirar conclusões a respeito dos meus alunos aparentemente negligentes!
Vou arcar com todas as consequências do que escrevo e digo!
O blog é pra isso! Registrar nossa trajetória, aprendizagens, progressos, dificuldades...
O que escrevo aqui é o que sinto agora!
Pode ser que mude, um dia. Mas nesse momento é assim que sinto!