domingo, 20 de junho de 2010

Semana 10

Foi uma semana muito fértil pra mim e para as crianças também, acredito. Pude ver onde preciso intervir de forma mais efetiva, em que aspectos o trabalho precisa ser aprimorado e senti a necessidade de organizá-los em grupos por níveis para atender melhor as necessidades específicas de cada aluno, visando transpor os obstáculos que ainda os impede de avançar no aprendizado da língua escrita. Claro que não são todos, é uma minoria, mas meu objetivo é alfabetizar e letrar a todos, é não ter retenções no final do ano. Pretendo fazer algumas mudanças nos encaminhamentos daqui pra frente. Vou intensificar as atividades de leitura e escrita e as intervenções junto aos alunos que ainda não superaram o nível silábico e atender mais individualmente o aluno novo, que está pré-silábico.

Semana 9

Voltar à escola depois de ficar fora quase 14 dias poderia ser uma experiência ao mesmo tempo emocionante e frustrante. Emocionante por estar novamente com meus alunos. frustrante porque eles poderiam ter se perdido depois de passarem por vários professores e situações, em que a linha de trabalho é muito diferente da que havíamos construído juntos.
Que linda surpresa eu tive!! Primeiro a emoção do retorno, depois a alegria (e o alívio) em ver que tudo o que tínhamos feito até ali, não havia se perdido. Um sinal de que para as crianças está sendo importante o estamos vivendo juntos. Num primeiro momento precisei lembrá-los das nossas combinações, mas à medida em que os dias passavam, a vida foi voltando ao normal.Nas diferentes situações e atividades que propus aos alunos durante essa semana, observei que estão evoluindo rapidamente, praticamente toda turma mudou de nível de construção da lecto-escrita e os alunos estão superando as dificuldades que encontravam até aqui, ratificando a certeza de que estou no caminho certo ao propor um trabalho com ênfase na literatura infantil e na matemática. A literatura dá conta de algumas questões subjetivas e ajuda as crianças a lidar com seus medos e angústias “é ouvindo histórias que se pode sentir... e enxergar com os olhos do imaginário... abrir as portas à compreensão do mundo”(ABRAMOVICH,1995, p.17). O aspecto lúdico presente no ler e contar histórias pode mobilizar as crianças e estimulando-as a envolver-se em desafios propostos, desenvolvendo assim a capacidade de analisar, formular hipóteses, questionar, interpretar, quantificar. A aprendizagem da matemática está vinculada a situações e contextos cultural e socialmente significativos para a criança. "A Matemática está ligada à compreensão, isto é, à apreensão do significado; apreender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas relações com outros objetos e acontecimentos.O significado da Matemática para o aluno resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu cotidiano e das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos. ((MEC/SEF, 1998, v.4, p.19).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Semana 8

Era pra ser mais uma semana divertida e de muitas aprendizagens importantes, mas...um ônibus com um motorista louco, cruzou o meu caminho, cortou a minha frente e me obrigou a frear...

O resultado foi um tombo, que não teve consequências mais graves porque eu estava a uma velocidade baixa. Mas foi suficiente pra me deixar fora da sala de aula por 15 dias, com um joelho machucado, rasgado, costurado e uma mão aparentemente pouco ferida, mas com uma lesão interna que me impedia de fazer as coisas mais simples do cotidiano, como escrever, digitar ou manusear o mouse...

A reflexão que faço dessa semana 8 não está diretamente ligada ao estágio, visto que estive fora da sala de aula, mas como minha vida está totalmente voltada a ele nesses últimos meses...

Descobri que a beleza e o valor da vida está nas pequenas coisas que muitas vezes, passam desapercebidas. E é com esse olhar, que pretendo retornar à ativa na semana 9: Buscando naquilo que normalmente não é visto ou ouvido, o pedacinho mais importante da minha prática e valorizar cada produção e cada movimento das minhas crianças em direção à aprendizagem daquilo que realmente interessa: saber viver!!!!

Semana 7

ELEIÇÃO DOS NOVOS CHEFES DE GRUPO:

Uma atividade simplesmente magnífica!!!! Não há outra palavra para descrevê-la
O meu objetivo de trabalhar cidadania, respeito, colaboração, solidariedade ficou expresso e salientado nesse dia, nesse momento. Saí da escola em êxtase...

"No momento da eleição as crianças são chamadas a exercerem seu desejo e discernimento, escolhendo aquele que gostariam pra ser chefe, submetendo-o, através de seu voto, à vontade social, na medida em que seu candidato pode ou não ser eleito." (Rocha, 2005, p. 58)

Os meus alunos demonstraram uma maturidade impressionante durante todo processo eleitoral, que durou quase duas horas. Todos permaneceram em seus lugares, falando baixinho, em respeito a quem votava. Os mesários souberam desempenhar os seus papéis mantendo igual postura e as escrutinadoras contaram, registraram os votos e declaram eleitos os mais votados, fazendo os cálculos necessários com muita seriedade e correção: sem esquecer de contar os votos para conferir se não houve fraude.

De fato posso afirmar que essas crianças saberão participar de uma eleição com o respeito e a responsabilidade que esse momento exige. Estou muito orgulhosa dos meus baixinhos. Também é importante dizer que era meu objetivo desde sempre chegar nesse nível de trabalho com a turma. Alfabetizar é muito, mas muito mais que ensinar a ler e escrever. E isso, estamos conseguindo,com a turma A23.


Infelizmente, depois desse fato tão importante pra mim e tenho certeza para os meus alunos também, eu sofri um acidente de moto, ao me deslocar para a outra escola em que trabalho no turno da tarde e o nosso “show” precisou ser interrompido...
Mas posso afirmar que nenhuma dor pode suplantar a emoção e a alegria que senti com o que vi e vivi durante a manhã do dia 24 de maio de 2010.

O resultado do acidente foi um joelho muito machucado internamente e a impossibilidade de caminhar e trabalhar nos outros dias daquela semana.

Semana 6

Nas atividades de escrita espontânea observo um grande progresso dos alunos na construção de frases e textos, que apresentam um conteúdo mais criativo e um cuidado maior na elaboração, (principalmente os alfabéticos) e uma grande evolução nos alunos pré-silábicos, silábicos e silábicos alfabéticos. Posso ver que, com apenas dois meses de trabalho com esse projeto, os resultados são positivos e aparecem com muita rapidez. Meus alunos não só estão aprendendo a decodificar um código convencionalmente construído, mas estão se apropriando da escrita.

"Ter-se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e escrever; aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita e decodificar a língua escrita; apropriar-se da escrita é tornar a escrita “própria”, ou seja, é assumi-la como sua “propriedade”. (Soares, 2002, pag 39).

O primordial no trabalho, a partir de agora, é fazer com que todos assumam essa postura de “proprietários”. Aí sim, poderei dizer que o trabalho valeu!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Semana 5 - um pouco mais

Mesmo terminando a semana um pouco descontente por conta de tudo o que me aconteceu e por não ter conseguido fazer aquilo tinha planejado desde o início, ao escrever o relato para o wiki, "acordei" pra algumas aprendizagens que eu realizei e para o aprofundamento que consegui em relação a alguns alunos, que até o momento em que escrevi a primeira postagem da semana 5, eu não tinha vislumbrado. Então, concluí que de tudo o que fazemos no estágio, um dos momentos mais importantes e ricos é exatamente esse, no qual sentamos para pensar, repensar e escrever o que fizemos. Colocar no “papel” tudo o que foi experimentado de forma analítica, é uma atividade que não fazia assim, de forma sistemática. Eu sempre refleti sobre o que estava fazendo, mas raramente escrevia minhas reflexões. Vejo agora, como é importante escrever aquilo que pensamos, pois no momento em que elaboro e organizo o pensamento para escrever, descubro novos fatos, percebo detalhes que tinham passado, encontro soluções para o que não deu certo, enxergo outras possibilidades de trabalho para dar conta daquilo que na me satisfez. Essa parada obrigatória para refletir, analisar, elaborar, sistematizar e escrever, cria novas necessidades, encaminha novas leituras e qualifica ainda mais a minha prática.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Semana 5

Essa é daquelas semanas que poderia sumir do calendário. Tudo que tentei dizer, foi interpretado de forma contraditória e equivocada. Fiquei doente, por causa de um cachorro quente, tivemos paralização, assembleia geral na escola.... Todos momentos de aprendizagem pra mim, pois sempre que há encontro, relacionamento, debate, diálogo, discussão sempre resulta aprendizagem significativa, mesmo que a princípio não percebamos. Estou postando hoje pra dar conta da exigência cronológica imposta pela universidade, contra a qual me rebelei e aprendi que agindo dessa forma eu só tenho a perder, regras foram feitas para serem cumpridas, não é mesmo? Apesar de todos os grandes gênios da história terem obtido notoriedade exatamente por transgredirem as regras de sua época... Um período em que eu não soube ouvir, em que eu não fui ouvida, e que me fez acreditar ainda mais na coerência e eficácia do trabalho ao qual estou me propondo no estágio: valorizar a oralidade, ouvir e conhecer meus alunos, proporcionar a eles momentos de diálogo, debate, escolha, decisão, democracia, respeito mútuo, aprendizagem, troca, cooperação, compartilhamento. Num mundo em que cada vez mais nosso valor está vinculado ao ter e não ao ser, é demasiado importante ensinar às nossas crianças o valor da amizade, da fraternidade, da solidariedade, da compreensão, da tolerância, da verdade...
Nesse sentido a semana pra mim foi de supremo valor. Os desapontamentos perdem a força diante da alegria e do prazer de conseguir alcançar meus objetivos lenta e profundamente nesse estágio...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Semana 4

Foi mais uma semana incrível! Dessa vez resolvi deixar que as crianças me contassem a história ao invés de eu ler ou contar a elas. Pude observar o quanto evoluíram tanto na maneira de falar e organizar o que iriam dizer como na postura diante da fala dos outros. E pra melhorar, muitos alunos que, normalmente não se pronunciavam, nesse trabalho pediram pra falar e colaboraram com a construção oral do texto.
Experimentei coisas novas: gravei as crianças falando, pedi que escrevessem a história (até aqui as atividades que envolviam escrita de textos restringiam-se às produções coletivas, as crianças só escreviam sozinhas palavras e frases). Além disso, trabalhamos com receita, produzimos biscoitos e fizemos cálculos que superam a expectativa para o ano ciclo (multiplicação, por exemplo).
Tudo o que tenho vivido e aprendido até aqui tem me feito vibrar e me apaixonar pela turma e pelo trabalho docente. É visível a evolução dos alunos.
Observei que muitos estão com medo de escrever, pois acreditam não saber. Esse será o meu maior desafio agora: fazer com que tenham segurança para escrever dentro das suas hipóteses de construção da escrita para que eu possa intervir de forma positiva e levá-los a questionar-se acerca de como se escreve, sem medo de errar, acreditando que cada fase do processo é um degrau na escada que os levará para a alfabetização e para o letramento.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Semana 3

Penso que nessa semana, apesar da variedade e riqueza das atividades e aprendizagens, não consegui êxito no meu propósito de relacionar literatura infantil e matemática.
O trabalho foi produtivo e significativo.
O lúdico estava presente (mais que em outras semanas, acredito), o que dá conta de um dos objetivos desse projeto.
Novos conceitos foram aprendidos por mim e pelos alunos, outros caminhos encontrados para chegar ao sucesso (A inserção dos jogos de competição no trabalho auxiliou-me a conhecer melhor os alunos - suas reações diante dos desafios, capacidade de concentração, coordenação motora ampla, freio inibitório, espírito de equipe, etc).
Mesmo assim o link entre as duas “cordas” centrais do projeto foi muito frágil, faltou amarração ou pelo menos apertar o nó.

domingo, 2 de maio de 2010

Semana 2

Apesar de ter sido uma semana mais curta e de ter tido alguns problemas com o tempo de realização e a organização de algumas atividades observo que estou conseguindo estabelecer a relação pretendida entre a teoria e a prática. Mas ainda está longe da qualidade que quero alcançar com esse trabalho. O caráter interdisciplinar esteve mais presente nessa semana pois através do texto escolhido pude linkar além da matemática (questões envolvendo tempo, contagem de tempo e numeração) e da Língua materna (leituras e atividades de oralidade e escrita)com as questões socio culturais que estiveram presentes em todos os momentos da semana e foram bem analisadas e compreendidas pelas crianças, de uma forma geral.
Tenho algumas dúvidas e conflitos no que se refere a sistematização da escrita, pois acho que deixei a desejar essa semana. Foram poucos os momentos em que as crianças escreveram ou foram questionadas sobre o assunto. Em compensação pensaram muito, falaram bastante e mostraram um grande avanço nas questões que envolvem a oralidade. Por esse aspecto o trabalho valeu.
Preciso pesquisar mais e viabilizar uma maneira de trabalhar, em que sejam contempladas todas as nuances da Língua, sem privilégio de uma sobre a outra ou essas alternâncias que vem ocorrendo nessas primeiras semanas de trabalho.
Alguns objetivos têm sido alcançados semanalmente: diferentes tipos de textos tem sido apresentados aos alunos, as crianças estão analisando situações diversas, formulando hipóteses, questionando a própria realidade, interpretando textos e imagens e resolvendo os problemas que lhes são apresentados com imaginação e criatividade. Também sinto que estão mais autônomas e críticas em relação ao que lhes é proporcionado tanto na escola como na vida fora dela.
Eu tenho sentido cada vez mais dificuldade em planejar pra turma, porque eles estão ficando exigentes, críticos e questionadores. Além disso, eu também não me contento mais com uma aula pouco pensada ou elaborada às pressas. Aliado a isso tem a preocupação com a avaliação do estágio...